Corrupção: um Crime Hediondo?

Corrupção, pesado para quem profere, mais ainda para quem ouve, a exemplo de um palavrão.

Quando ouvimos essa expressão nas ruas, nos escritórios, nos ônibus, nas filas do dia-a-dia, ou simplesmente em uma roda de amigos, as reações podem ser as mais diversas possíveis.

Para nós brasileiros, a corrupção é tema corriqueiro, cancro social que parece não ter cura, com passe e trânsito livre entre os gabinetes e corredores das três casas que legislam, executam e fiscalizam as leis deste país.

O tema, pesado ou não, desperta as mais variadas opiniões. Indigna os homens de bem ao mesmo tempo que imprime indiferença aos descrentes. É como trazer para os círculos de conversas, temas como religião, política ou futebol. Cada um tem sua opinião, sua simpatia, sua paixão. Todos falam, criticam, apontam convergências e divergências, mas no final não se chega a conclusão nenhuma. São os tabus de cada um, aceite ou não, inerências do ser humano.

Tramita no Senado Federal, em sede de constituição e justiça, Projeto de Lei de nº. 204/11, de autoria do senador Pedro Taques que propõe aumento de pena para os casos de corrupção nas suas variadas apresentações, transformando-os em crime hediondo.

Em suas justificativas, Pedro Taques afirmou que seu intento é “mudar o paradigma segundo o qual crimes hediondos são aqueles cometidos com violência física direta, ocasionando repulsa nos cidadãos em razão desta violência.”

Tal postura e comprometimento, e em se tratando de homem público e profundo conhecedor da matéria penal, premia os homens de bem e, quiçá, possa ventilar um fiapo de esperança entre os descrentes. A violência maior é filha e fruto da corrupção.

Nos últimos meses, temos presenciado grandes mobilizações contra a corrupção, nas praças, ruas, escolas e universidades, como as manifestações ocorridas em diversas cidades no último dia 12 de outubro, mesclando bandeiras religiosas e ideologias políticas das mais diversas. A palavra de ordem é faxinar, de uma forma mais explícita, e o exemplo maior parece vir do planalto.

Apesar da presidente Dilma Roussef rejeitar o termo “faxina”, parece ser isso mesmo o que ela quer, e já provou estar disposta a não jogar o pó para baixo do tapete. Entretanto, precisará de muita água, escova e sabão, pois a tarefa será árdua.

Enfim, para os crentes resta a esperança, e esta reside na esquina logo após a curva do infinito, portanto, não morre nunca.

Fonte: O Documento

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