A IACC E O FALSO COMBATE À CORRUPÇÃO

A corrupção é hoje um dos assuntos mais noticiados pela mídia em todo o mundo exigindo uma resposta dos governos dos países mais corruptos junto às suas respectivas populações, no sentido de “acalmar os ânimos” e evitar reações indesejáveis em meio ao povo. E para ajudar esses governos a satisfazer essa necessidade hoje existem organizações não governamentais que conseguiram se projetar mundialmente através da participação ao longo dos anos em discussões e conferências inúteis sobre “corrupção”, promovidas por organismos internacionais como a ONU, OEA, CE.

Ocorre que algumas dessas ONGs após tornarem-se famosas enveredaram por um caminho puramente “comercial” e agora vivem de emprestar ou vender a sua imagem de “organização isenta e mundialmente respeitável” para que governos de países com sistemas altamente corrompidos possam usá-la em campanhas de propaganda interna e internacional, voltadas exclusivamente a beneficiar a imagem de seus governantes associando-os à essas organizações, teoricamente acima de qualquer suspeita.Essas encenações são via de regra muito bem urdidas e graças ao apoio infalível da mídia as pessoas ingênuas ou desinformadas vão sendo levadas à sensação ilusória de que seu governo está realmente empenhado em combater a corrupção.

Neste ano foi o Brasil quem pagou, ainda não se sabe quanto, para ser o palco do maior show internacional de combate à corrupção produzido por uma destas “famosas” ONG’s, a TI – Transparência Internacional. A realização desta 15ª IACC – Conferência Internacional de Combate à Corrupção, em Brasília, no período de 7 a 11 de novembro, resultou de um acordo financeiro selado entre o Governo brasileiro e a TI em encontro de suas respectivas presidentas ocorrido no Palácio do Planalto em Março de 2012.

A verdade é que a TI se notabilizou internacionalmente realizando anualmente um tipo específico de pesquisa sempre patrocinada por organizações internacionais, cujo resultado prático se resume a estabelecer um ranking entre os Estados mais e menos corruptos, sem que isso represente, obviamente, qualquer contribuição efetiva para o combate à corrupção. Mas como a corrupção não é passível de extermínio e sempre estará presente em todos os países do mundo de forma mais ou menos perceptível, arbitrar esse ranking para satisfação exclusiva dos fanáticos por rankings, curiosos e jornalistas não justificaria a realização dessas pesquisas tão caras quanto inúteis.

Mas hoje todo governante sabe que subir alguns pontos no ranking da TI pode até significar a manutenção de seu grupo no Poder. Todavia, subir no conceito mundial depende de como o país será analisado pelos olhos e sob os conceitos mutáveis dos dirigentes da TI. Em função dessa relatividade que só depende do enfoque de uma meia dúzia de pessoas, surge naturalmente o interesse de governos corruptos, corruptores ou corrompidos por adquirir um certificado internacional que ateste a sua evolução no combate à corrupção, certificado esse que teoricamente pode ser fornecido, ao seu bel prazer, por esta inútil Transparência Internacional.

Aliás inútil não, útil, sim. Útil para realizar conferências que vão resultar em intermináveis relatórios a serem arquivados e esquecidos; útil para ajudar a enganar os povos e útil para promover seus dirigentes dando-lhes a oportunidade de conquistar a fama e se tornarem parceiros muito bem remunerados, de governos de Estados altamente corruptos.

E para viabilizar o sucesso desta encenação no Brasil os produtores desse espetáculo IACC só precisaram distribuir uma pequena parte do que arrecadaram para o Evento, fazendo convites tentadores a representantes de várias ONG’s, entidades e movimentos da sociedade civil, oferecendo-lhes passagens aéreas para Brasília, alimentação e hospedagem gratuitas em bons hotéis, além de fornecer a taxa de inscrição no referido Evento a qual não saia por menos de R$ 1 Mil.

Como se vê, foi tudo muito bem engendrado para disseminar no país a sensação ilusória de que este evento internacional da IACC promovido pelo Governo brasileiro estaria sendo apoiado pela sociedade civil representada por essas ONG’s, as quais avalizaram o imbróglio com sua presença ao se transformarem de convidados em inocentes úteis para ao planejado pelo Governo para mais essa farsa.

Definitivamente, nós não somos uma Nação de mentecaptos! Pelo menos muitos de nós não somos e por isso mesmo não podemos assentir com essas tentativas vis de manipulação da nossa opinião e da opinião pública por este ou por qualquer outro Governo através de propagandas políticas enganosas, que só fazem dificultar e atrasar, ainda mais, a realização das mudanças necessárias para se conter a corrupção já propagada pelas instituições públicas brasileiras.

É preciso dar um basta a esse tipo de farsa desenvolvida para manobrar a sociedade em direção a interesses exclusivamente políticos ou econômicos!

Por isso, entidades nacionais incorruptíveis como o Instituto Mãos Limpas Brasil e o Instituto Qualicidade, sediadas em São Paulo, resolveram emitir essa nota de agravo a este show de ilusionismo da IACC e informar sua decisão conjunta de iniciarem um novo caminho de combate à corrupção ao lado apenas de grupos e organizações efetivamente comprometidas com a mobilização pacífica da sociedade através da disseminação de todas as informações sobre o que de fato representa a corrupção; quais são as suas consequências diretas e quais riscos representa, para permitir a qualquer cidadão ou cidadã interessada, a possibilidade de uma participação ativa na formatação e implementação de uma necessária política pública VERDADEIRA e SUSTENTÁVEL de combate à corrupção.

Instituto Qualicidade – Instituto Mãos Limpas Brasil
Grupo Corrupção é Crime Hediondo
Grupo Força de Paz pela Democracia e Contra a Corrupção
Projeto EPOCC – Estatuto Popular Contra a Corrupção
Projeto Qualicidade de Reorganização Social

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