Ele é o Chefão do Polo Petroquíco

Frank Geyer Abubakir abraçando seu amigo e conterrâneo Sergio Cabral, Governador do Rio de Janeiro na festa de lançamento da Quattor – Imagem da Prefeitura do Rio de Janeiro

Depois de décadas sem conseguirmos saber quem eram os homens por traz daquele reluzente império, finalmente descobrimos quem é o verdadeiro “chefão” do Pólo Petroquímico de Capuava.

Quem diria, ele é carioca, chama-se Frank Geyer Abubakir e com apenas 35 anos de idade é um dos homens mais ricos do país. Como presidente e controlador de 60 % das ações do Grupo Unipar de propriedade de sua família é, também, sócio majoritário (dono) da Quattor, leia-se Petroquímica União + Polietilenos União + Unipar Química + Suzano Petroquímica + Rio Polímeros + outras grandes empresas.

Mas o Frank e sua família nunca vêem ao ABC e por isso mesmo nem quiseram fazer por aqui a festa de lançamento da Quattor, empresa que reuniu em 2008 suas fábricas instaladas em Santo André e Mauá para lhes trazer um faturamento de algo em torno de dois Bilhões de Reais todo mês. Assim, para comemorar este grandioso feito uma verdadeira fortuna foi gasta com a veiculação de longos anúncios em jornais, revistas e em horários nobre na TV e até a solenidade oficial foi realizada em evento na Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro na presença de várias personalidades locais, oportunidade na qual o Frank foi saudado pelo seu amigo e Governador Sergio Cabral pela criação da “10ª maior empresa do Estado do Rio”.

Por aí começamos a entender como esses cariocas “exxxperrrtos” da família Geyer conseguiram fazer com que ninguém no ABC até hoje desse conta da sua existência. Primeiro, esconderam-se no Rio de Janeiro de onde administram a sua fortuna cercados por seguranças fortemente armados, vivendo confortavelmente instalados bem longe dos riscos de incêndios, explosões e da poluição que suas empresas geram no ABC. Segundo, para permanecerem no anonimato aqui, provavelmente financiaram campanhas políticas para prefeitos, deputados e vereadores, compraram a simpatia de amplos setores da imprensa regional com anúncios caríssimos, pagaram altos salários a executivos e polpudas retribuições a puxas saco, tudo com a condição de que o Frank e sua família jamais aparecessem nos noticiários locais e regionais e muito menos nas discussões sobre riscos de explosões, incêndios, contaminações, poluição e responsabilidade social de suas empresas no ABC.

Talvez por estas razões a análise da verdadeira extensão desses riscos e de como eles afetam de fato a vida dos cidadãos que vivem em torno do Pólo Petroquímico, bem como daqueles que vivem ao lado das ruas ou sobre os tubos enterrados pelas cidades por onde trafegam as centenas de toneladas de perigosos produtos químicos e petroquímicos manipulados diariamente pelo Pólo Petroquímico, nunca tenham sido corretamente avaliadas.

Por isso o Instituto Qualicidade, que tem como missão promover o desenvolvimento da qualidade de vida, resolveu enfrentar esse verdadeiro tabu, dar “nome aos bois” e realizar a necessária comunicação social sobre esses riscos e, ainda, tratar das compensações que o Pólo Petroquímico e a Refinaria de Capuava trazem, ou deveriam trazer para o ABC, como parte de um direito inalienável da população local e de uma indiscutível obrigação dessas empresas.

Para tanto está sendo desenvolvido pelo Instituto Qualicidade o “Projeto Riscos Tecnológicos e Ambiência”, um estudo que reúne professores e doutores da Universidade de São Paulo, da Faculdade de Saúde Pública, do Laboratório de Ambiência da Universidade de Grenoble na França e da CETESB além de especialistas em urbanismo e meio ambiente com o objetivo de detectar a percepção daquela parcela da população do ABC que vive sob a ameaça de incêndios, explosões e contaminações provenientes da manipulação e transporte dos produtos químicos e petroquímicos produzidos nas fábricas do Frank e de seus parceiros. Estes estudos visam, ainda, detectar quais são os mecanismos de resposta existentes e quais seriam os necessários para fazer frente à ocorrência de eventuais tragédias por eles ocasionadas.

Mas infelizmente o “pessoal” do Pólo não quer nem saber de colaborar com esses estudos e prova disso é que depois de mais de seis meses de infrutíferas tentativas de diretores do Instituto Qualicidade para promover um entendimento com os responsáveis pelo Pólo Petroquímico objetivando receber o apoio e a abertura necessários para o desenvolvimento deste Projeto Social, todos escorregaram feito gelo sobre vidro, até que o próprio Frank, talvez por considerar esses estudos “ameaçadores” para seus negócios aqui no ABC, simplesmente mandou a secretária dizer que esse assunto não era com ele.

Em outras palavras, responsabilidade social das empresas do Pólo Petroquímico até agora só existiu em propaganda. Parece que só o que interessa mesmo para o Frank e sua família é o dinheiro que ganham aqui no ABC e aplicam lá no Rio de Janeiro. De resto, os impostos que ficam certamente mal fazem frente às despesas com os milhares de funcionários públicos, centenas de comissionados e políticos eleitos da Região.

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