Matemática Social

CRISE INSTITUCIONAL + LUTA PELO PODER = (???)

Para resolvermos essa equação temos que considerar que:

  • Crise institucional é aquela caracterizada pelo crescente descrédito do povo nas instituições democráticas, resultante da comprovação ininterrupta de sucessivos casos de desmandos, de corrupção e de clientelismo, quase sempre impunes, mostrando a presença constante de elementos ligados à facções de crime organizado, em quase todas as esferas da Administração Pública, do Legislativo e do Judiciário;
  • Luta pelo Poder é aquela travada por grupos políticos nem sempre restritos aos auspícios da ética, da verdade e da moralidade quando o objetivo é conquistar o Poder Supremo no país, com a Presidência da República associada à maioria no Congresso, ou nos Estados com a Governança associada à maioria nas Assembléias.

Considerar, também, que esta equação deve ser resolvida num cenário onde ocorre:

  • Crescente descontentamento da juventude nas classes médias e baixas com a falta de oportunidades de ascensão econômica e social;
  • Persistentes ou crescentes índices de hedionda violência urbana, comparáveis somente à barbárie de países em guerra;
  • Uma tendência ao aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo resultante de uma política assistencialista em projetos sociais de grande envergadura, não obstante à situação emergencial que impõe o atendimento imediato às necessidades básicas de saúde, alimentação, educação e habitação aos quase 40 milhões de brasileiros absolutamente miseráveis.

Deve-se, ainda, ponderar que novas variáveis poderão abalar a sustentabilidade social do establishment, alterando o resultado da equação, quais sejam:

1ª. Dado ao incessante ressurgimento de surpresas no campo da criminalidade do colarinho branco é bem possível inferir que novas ocorrências nesta área devem surgir alcançando desconhecida amplitude de indignação social e consequências respectivas;

2ª. Da mesma forma, dada a incapacidade, diariamente reafirmada, dos Poderes Públicos em promover a paz social fazendo cessar ou diminuir significativamente a violência urbana, resultando numa crescente indignação do povo com a Justiça e com a Polícia, é possível supor que um fato novo de graves proporções poderá suscitar reações violentas da comunidade.

Assim sendo, cotejando-se esses elementos com situações históricas similares para um ensaio controlado de resultados possíveis, é possível deduzir que a situação gerada pela somatória e multiplicação desses fatores concorrendo simultaneamente induzem a três resultados possíveis, quais sejam:

1º. Nada acontece e o país continua na mesma…;

2º. Ocorre a ruptura do pacto social:

3º. Surgimento e a ascensão de lideranças populistas com inclinação totalitária.

Isto posto, é razoável inferir que no decorrer de 2010 estaremos vivendo momentos cruciais para a República e para a Democracia impondo-nos a necessidade de reunir esforços para tentar minimizar os riscos aventados, promovendo a sustentabilidade social e o fortalecimento das instituições democráticas através da atuação em três frentes:

1ª. Promoção de uma profunda reforma política que contemple uma ampla revisão no regramento eleitoral, no sistema de coeficientes eleitorais e nas relações representantes / representados;

2ª. Promoção da reorganização social, com ou sem a adoção do Voto Distrital, através da criação de mecanismos de controle social eficientes, pautados no incremento de novas formas de democracia participativa;

3ª. Institucionalização de mecanismos para exercício da democracia direta;

Portanto, resulta da tentativa em resolver esta questão de álgebra social a certeza de que, caso não se insira nesse contexto um significativo coeficiente de “Sustentabilidade Social”, estaremos diante de uma fórmula apocalíptica com consequências nefastas. Vale lembrar que se crises profundas são uma oportunidade para correção de rotas, algumas vezes, também, elas representam a razão de ser do caos que se estabelece.

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