A corrupção que enoja e desanima o País

Não adianta, o assunto corrupção volta quando temos tanto que fazer neste Brasil tão querido, porém tão maltratado por nós mesmos. Por tudo o que necessitamos em termos de saúde, educação e serviços públicos, além de investimentos na infraestrutura e geração de empregos, a grande arma do desenvolvimento, é muito triste a frequência com que se fala de corrupção. Não apenas deste ou daquele governo, próximo ou distante. A corrupção enoja e desanima, ainda mais quando praticada com entes públicos e com o dinheiro de todos. Para os velhacos brasileiros, a palavra não é meio de manifestar os seus pensamentos, mas de encobri-los e disfarçar para melhor avançar sobre o erário. Mas a corrupção tem duas faces, o corruptor e o que se deixa corromper.

No entanto, quando a voz do povo enaltecia outros países como mais saudáveis e cumpridores da lei do que o Brasil, eis que surge um escândalo agora não apenas com personagens nacionais, mas também estrangeiros.

É que a Justiça alemã concluiu que empresa do país pagou pelo menos € 8 milhões, o equivalente a R$ 24,4 milhões, a dois representantes de funcionários brasileiros como parte de um amplo esquema de corrupção em contratos públicos em nosso país. Os dados fazem parte da investigação conduzida por promotores em Munique e que resultou na condenação, em 2010, da empresa alemã ao pagamento de uma multa bilionária. O caso brasileiro, segundo a Justiça alemã, ajudou a comprovar o esquema internacional de corrupção da multinacional. A empresa apresentou documentos à Justiça no Brasil, e eles mostram a ação de dois consultores para a manutenção do cartel e a fraude contra os cofres do governo de São Paulo entre 2001 e 2002, e a organização germânica informou que colabora com as investigações do caso. Na época, estava em andamento a licitação para a reforma dos trens S2000, S2100 e S3000 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Então, foi criado um cartel entre seis empresas multinacionais de outros países, além da Alemanha, sendo que a organização germânica venceu a licitação S3000, uma vez que as outras empresas competidoras apresentaram preços superiores à proposta da alemã e bastante próximos do orçamento da CPTM, como cobertura, segundo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça.

A prática, segundo a investigação, segue um padrão mundial de pagamento de propina pela empresa da Alemanha, ou seja, uma consultoria emite notas por um suposto trabalho e a subornadora paga. O problema é que esse trabalho não existia, e o dinheiro dessas consultorias seguia para o bolso de agentes públicos ou lobistas. Segundo noticiado, a empresa pagou US$ 1,3 bilhão em subornos no mundo. O caso envolveu mais de 300 agentes públicos e 4,2 mil transações suspeitas na Argentina, Bangladesh, Brasil, China, Grécia, Hungria, Indonésia, Israel, Itália, Malásia, Nigéria, Noruega, Polônia, Rússia e Vietnã. Corrupção bem democrática mundo afora, vê-se. O que consola é que o sucesso dos corruptos tem a duração do relâmpago, que precede e anuncia o raio, no caso, a descoberta e a punição. Que assim seja, no caso dos trens em São Paulo.

Fonte: Jornal do Comércio

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