Acusado de corrupção diz ter marcado reunião com secretário de Haddad

Interceptações telefônicas mostram que, após saber da investigação, um dos quatro servidores presos sob suspeita de arrecadação de propina na Secretaria de Finanças afirmou que se reuniria com Antonio Donato e com o vereador Paulo Fiorilo (PT)

SÃO PAULO – O subsecretário de Finanças da gestão Gilberto Kassab (PSD), Ronilson Bezerra Rodrigues, um dos fiscais presos na operação deflagrada na semana passada contra um esquema de propinas para sonegação de impostos, procurou o secretário de Governo de Fernando Haddad (PT), Antonio Donato, e o vereador Paulo Fiorilo (PT). Ele se encontrou com ambos para pedir ajuda, quando soube que era alvo de investigação da Controladoria-Geral do Município (CGM).

Segundo a transcrição de escutas telefônicas obtidas pelo Estado, em 16 de julho deste ano, às 17h23, Rodrigues diz a um interlocutor que iria procurar os dois petistas quando ele e os demais fiscais presos pelo esquema – Eduardo Horle Barcellos, Luis Alexandre Cardoso Magalhães e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral – haviam sido chamados para depor na Controladoria-Geral do Município, órgão chefiado por Mário Vinícius Claussen Spinelli, que conduziu as investigações, em parceria com o Ministério Público Estadual. O depoimento de Rodrigues ocorreu 45 dias antes da prisão do grupo.

propina

Fiorilo, presidente da CPI dos Transportes, admite ter se encontrado com Rodrigues no dia 19 de julho, quinta-feira, no intervalo de uma sessão da Câmara Municipal.

“Ele disse que estava sendo perseguido. Eu disse que não tinha como ajudar. Ele contou que estava sendo perseguido pela gestão do PT e que precisava de ajuda. Afirmei que a Controladoria-Geral do Município era independente e que ele deveria procurar um advogado”, afirmou o parlamentar.

O vereador disse que nunca se encontrou com Rodrigues em seu diretório na zona leste. “Atendi Rodrigues em uma quinta-feira, durante um intervalo da sessão da CPI.”

Donato também confirmou o encontro. Em nota, disse que “recebeu o servidor, que argumentou perseguição na investigação da controladoria”, mas afirmou que “o assunto não era da alçada da secretaria, que a CGM é um órgão autônomo e tem procedimento puramente técnico”. Segundo a nota, “após o encontro, o secretário informou ao controlador-geral Mário Spinelli o teor da conversa”.

Donato foi questionado e negou ligação com esquemas de envio de dinheiro. O secretário admitiu ter indicado Rodrigues para trabalhar na São Paulo Transporte (SPTrans) na gestão Haddad. Disse que a indicação foi feita antes que houvesse investigações contra ele.

A versão contradiz a Prefeitura, que recebeu denúncia sobre o esquema de corrupção envolvendo Rodrigues no ano passado, conforme o Estado revelou ontem. A equipe de transição, chefiada por Donato, recebeu cópia das acusações.

Na nota, o secretário disse que conheceu Rodrigues na Câmara, enquanto era vereador, mas que nunca se encontrou com os outros suspeitos. “Rodrigues compareceu diversas vezes ao Legislativo, representando o secretário de Finanças da gestão passada, Mauro Ricardo.”

Amante. Outras interceptações telefônicas mostram conversas do auditor Luis Alexandre Magalhães com sua amante que comprometem vários servidores. A mulher ameaça denunciar Magalhães e cita mais 14 pessoas, além dos fiscais já presos. Fala também “sobre como o dinheiro entrava e saía e sobre o esquema da Odebrecht, que fazia as notas fiscais frias”. A construtora nega envolvimento no esquema.

As ameaças, no entanto, foram feitas quando o controlador Spinelli e o promotor Roberto Bodini já investigavam o esquema e preparavam a prisão dos acusados.

Fonte: Estadão

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