Após dois dias preso comandante suspeito de corrupção prefere se calar

O comandante do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM), tenente-coronel Djalma Beltrami, não se pronunciará para se defender das suspeitas de corrupção levantadas pela Polícia Civil até receber orientação do advogado Marcos Espínola. A informação foi divulgada pela assessoria do advogado. Beltrami foi solto na madrugada desta quarta-feira (21) após ficar preso por dois dias no Batalhão de Choque.

O tenente-coronel conseguiu a liberdade provisória – habeas corpus – na madrugada no último plantão judiciário do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Na segunda-feira (19), a DHNSG (Delegacia de Homicídio de Niterói e São Gonçalo) prendeu o comandante após investigações apontar que ele recebia propina de traficantes da comunidade da Coruja, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

A Polícia Civil também investiga se Beltrami forjou uma operação policial no morro da Coruja na última sexta-feira (16) para poder se livrar de testemunhas do esquema de corrupção na unidade.

Especialista em segurança pública, o coronel Paulo Amêndola explicou no programa RJ no Ar, da Rede Record, que o desembargador Paulo Rangel, que concedeu o habeas corpus entendeu que faltavam provas para a prisão de Beltrami. Na decisão de Rangel, ele diz que “estão brincando de investigar”, pois a expressão “zero um”, a qual definiria a pessoa que deve receber o suborno dos traficantes, pode ser qualquer um, e não necessariamente o comandante do batalhão. Rangel teria ido além e dito que o juiz que concedeu a prisão preventiva se deixou levar pela “maldade da autoridade policial”.

A operação desencadeada no início da semana para combater a corrupção na polícia prendeu 11 policiais militares, incluindo Beltrami. O oficial havia assumido o 7º BPM há três meses com a missão de moralizar o batalhão, após a prisão do tenente-coronel Cláudio Oliveira, acusado de ser o mandante da morte da juíza Patrícia Acioli.

Escutas telefônicas entre um policial do batalhão e um traficante da comunidade revelariam que Beltrami recebia R$ 10 mil por semana para facilitar o tráfico de drogas na região do morro.

Descobriu-se também que os entorpecentes que chegavam à região dos Lagos, via São Pedro da Aldeia, vinham dos morros do Bumba, em Niterói, e da Coruja.

Ainda segundo Alan Luxardo, traficantes que teriam fugido do complexo do Alemão, zona norte do Rio, fazem parte do grupo de criminosos que participam da venda de drogas e outros crimes na região do morro da Coruja.

Djalma Beltrami prestou depoimento na DHNSG e depois, seguiu para o BPChoque (Batalhão de Choque). O tenente-coronel negou receber propina para fazer “vista grossa” ao tráfico de drogas. Beltrami também disse desconhecer o envolvimento de qualquer um de seus oficiais no esquema.

De acordo com o delegado Alan Luxardo, o ex-comandante do 7º BPM vai responder por associação ao tráfico de drogas e corrupção passiva. Os PMs suspeitos vão responder por tráfico e corrupção ativa.

Assista o Vídeo clicando aqui.

Defesa nega envolvimento

O advogado do comandante do Batalhão de São Gonçalo, Marcos Espínola, afirmou que vai entrar com pedido de revogação da prisão por considerar que não há indícios do seu envolvimento com o esquema de corrupção e tráfico de drogas. Além disso, ele afirma que o procedimento dentro da unidade sempre teve total transparência.

– Avaliei o inquérito e não concordo com a prisão, pois em nenhum momento comprova-se o envolvimento do meu cliente.

Escutas telefônicas

Veja a transcrição da conversa, de quase nove minutos, gravada no dia 11 de setembro, entre um policial do 7º BPM e o traficante Gaguinho, chefe do tráfico no morro da Coruja, que segundo a polícia, está refugiado na favela do Mandela, em Bonsucesso, na zona norte do Rio.

Policial: “Falei com o mais alto aqui [tenente-coronel Djalma Beltrami] entendeu? Falei com ele mais ou menos o que a gente falou aquela hora,é você tinha falado que consegue chegar até uns R$ 10.000.

Gaguinho: “Não, tô (sic) falando parceiro que tem como aumentar o de vocês em R$ 1.000 a mais e dar R$ 10 mil por semana para o número 01 [comandante] entendeu? Arregar ele também isso que eu quero fazer entendeu?

Policial: “Então, olha só que tem as outras gêmeas [as outras Blazers do GAT] que vai fazer contato contigo vai permanecer normal, você vai continuar mantendo o normal com as outras gêmeas. Aí o que você desenrolar com eles ta (sic) desenrolado.

Após combinarem os valores, os policiais marcam um encontro entre o advogado do suposto traficante Gaguinho e um grupo de policiais.

Policial: “Eu vou passar a situação por 01 [comandante do batalhão] aqui e pra gente você mandaria R$ 4.000? Mas você podia dar uma melhoradinha no nosso né?

Gaguinho: “Então, você vê aí se consegue entrar em contato com o 01 de vocês, aí você me fala o dia, me liga e manda ele vir aqui agora e marca com ele antes. Me fala um dia antes pra eu mandar ir aí, entendeu?

Policia: “Beleza! Eu vou falar com ele aqui. Vamos fazer o seguinte, você tem como fazer o nosso em R$ 5.000?

Gaguinho: “Vamos ver, deixa eu ver como vai ficar esse desenrolado aí. Ele até conhece o Gravata [advogado do Gaguinho]. O Gravata conhece ele, mando o Gravata na direção dele e conversa com ele.

Fonte: R7 – Notícias

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