Brasil: Manifestação em São Paulo contra corrupção no metro

Manifestantes reivindicaram o fim das tarifas nos transportes públicos, a demissão do governador Geraldo Alckmin, e a punição dos responsáveis pelo desaparecimento do pedreiro Amarildo Dias, no Rio de Janeiro. Por Roberto Brilhante, Carta Maior.

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Ocorreu pelas ruas do centro de São Paulo a manifestação “Chega de Sufoco”, contra a corrupção nas licitações e privatizações dos transportes públicos e a favor de melhorias do sistema de transportes. O protesto foi convocado pelo Sindicato dos Metroviários, a Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (Anel) e o Movimento Passe Livre.

Altino de Melo Prazeres Junior, presidente do Sindicato dos Metroviários, declarou que o foco do protesto era pelos transportes públicos, mas muitos dos presentes também protestavam contra o governo de Geraldo Alckmin, por reconhecerem a sua responsabilidade nos problemas enfrentados pelos utentes do Metro.

Além desses problemas, Altino afirmou que outro motivo pelo qual muitos protestavam contra o governo seria por causa de uma máfia dos transportes no qual o atual governo e administrações anteriores do PSDB estariam envolvidos. Ao citar essa máfia, Melo refere-se diretamente aos esquemas de corrupção revelados pela revista IstoÉ que envolvem o pagamento de luvas a diretores da CPTM (comboios urbanos) e Metro e a políticos ligados ao PSDB, assim como a participação do governo na formação de cartéis de empresas prestadoras de serviços ao governo paulista.

Além dos casos de corrupção, Altino declara que os metroviários também estão preocupados com os riscos de subcontratação dos trabalhadores, risco que se tornaria iminente caso a (proposta de lei) PL 4330 seja aprovada na câmara dos deputados e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff: “essa PL 4330 é uma pressão das grandes empresas sobre o governo e os parlamentares. Quem vai se beneficiar com as subcontratações nas empresas? Principalmente as multinacionais. Numa empresa como o metro de São Paulo, se um operador de comboio for subcontratado, se a manutenção for subcontratada, se o bilheteiro for subcontratado, quem vai entrar no mercado para realizar este serviço serão as grandes multinacionais, mesmo que o ‘testa de ferro’ seja nacional. E a subcontratação significa quase a desregulamentação total do trabalho, e isso é prejudicial não só para os metroviários, mas para todos os trabalhadores do país”, declarou Melo.

As questões das falhas técnicas recorrentes no metro também foram comentadas por Altino, que atribuiu tais falhas à falta de investimento, à precarização e à superlotação: “o investimento do governo atual e dos governos anteriores é muito aquém da necessidade. Nós vemos uma degradação permanente no metro de São Paulo. O nível dos metroviários que trabalham com manutenção é muito alto. Porém, estão entrando cada vez mais outras empresas no processo, que pioram a qualidade, pois os seus funcionários são pessoas subcontratadas, com salários menores, e às vezes com uma qualificação técnica ruim, e cujo comprometimento com o resultado não é tão grande, pois no outro dia podem não estar mais trabalhando no metro, enquanto o contratado está permanentemente envolvido com os resultados. Na nossa opinião é necessária uma reformulação da manutenção no metro com um planeamento coletivo do processo”, defendeu Altino.

O Movimento Passe Livre também marcou presença na manifestação. Marcelo Hotimsky, militante do MPL, também comentou as recentes denúncias de esquemas de corrupção no metro paulistano: “estas denúncias mostram quantias absurdas de dinheiro que poderiam estar sendo investidas em transporte público, seja em redução de tarifa, seja na construção de novas estações, e que estão sendo usadas de acordo com o interesse de poucas empresas privadas. Mas a coisa vai muito além da corrupção, o modelo de PPP (parceria público-privada) segue os padrões do Estado e mesmo assim implica numa grande injustiça: lucros bilionários para as empresas que construíram a linha-4, por exemplo, enquanto o trabalho na linha é subcontratado. Tudo isso denuncia que o transporte público não é de facto pensado segundo as necessidades da população”, disse.

A manifestação, que reuniu cerca de duas mil pessoas, partiu do Vale do Anhangabaú por volta das 16h e seguiu pelas ruas do centro. Diferente de outros protestos, em que houve agressões por parte de alguns manifestantes a pessoas que carregavam bandeiras de partidos, nesta conviveram diversos partidos, sindicatos, movimentos sociais e estudantis sem que houvesse nenhum tipo de hostilidade.

Dentre os gritos entoados pelos manifestantes, destacaram-se os que reivindicavam o fim das tarifas aos usuários dos transportes públicos, a saída do governador Geraldo Alckmin, e a punição aos responsáveis pelo desaparecimento de Amarildo Dias, morador da favela da Rocinha no Rio de Janeiro, que desapareceu há um mês após ser levado da porta de sua casa por polícias da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Por volta das 19h, manifestantes ocupavam tanto a Câmara dos Vereadores quanto a Assembleia Legislativa. Houve repressão policial em ambos os locais. A Câmara dos Vereadores, após exigência dos manifestantes, marcou uma audiência pública para a próxima quinta (22) em que se discutirá o Passe Livre, tido pelos vereadores como impossível, e a abertura dos livros de contas dos transportes.

Fonte: Esquerda.Net

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