Corrupção ‘não deve ser politizada’, afirma ministro Barroso

Ministro fez sua primeira atuação no processo do mensalão no Supremo.
‘Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção’, disse.

barroso

Em sua primeira atuação como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou nesta quarta-feira (14) que a discussão sobre corrupção no país “não deve ser politizada”. O Supremo faz nesta quarta a primeira das sessões em que serão julgados os recursos de 25 condenados no processo do mensalão.
Antes de analisar questões “preliminares” levantadas pelos advogados de defesa, Barroso disse que queria comentar o episódio. No ano passado, o Supremo condenou 25 pessoas porque entendeu que houve um esquema de compra de voto de parlamentares no Congresso Nacional nos primeiros anos do governo Lula.

“Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção. Não há corrupção melhor ou pior. Não é corrupção do DEM. A corrupção é um mal em si e não deve ser politizada”, disse Barroso.
O ministro, que assumiu o cargo em junho, defendeu a realização de uma reforma política e eleitoral. Segundo ele, o julgamento do mensalão representou a “condenação do modelo político” brasileiro.
“A catarse da ação penal 470 é um dos sinais da fadiga constitucional. Esse julgamento, mais do que condenação de pessoas, significou a condenação de um modelo político. Se deve à incapacidade da política institucional de vocacionar os anseios da sociedade.”
Para o ministro, sem a realização de uma reforma política o julgamento não terá efeito transformador na sociedade.

O ministro Roberto Barroso destacou ainda que existe uma cultura de corrupção no país.
“A sociedade brasileira tem cobrado choque de decência em muitas áreas. Por exemplo, acabar com a cultura de cobrar com nota ou sem nota. Não levar o cachorro para fazer necessidades na praia. Nas licitacões, não fazer combinações ilegítimas com outros pariticipantes para em seguida exigir adicionais após obter o contrato. As instituições públicas são reflexo da sociedade. Não adianta achar que o problema está sempre no outro. Cada um deveria aproveitar este momento e fazer a sua autocrítica. a sua própria reflexão pessoal.”
Barroso afirmou ainda que o mensalão não foi o “maior escândalo” político do Brasil, mas sim o “mais investigado”.
“É questionável a afirmação de se tratar do maior escândalo político brasileiro. O que se pode afirmar é que foi o mais investigado de todos e o que teve a resposta mais contundente do Poder Judiciário. Deve se celebrar a resposta dada pelo Judiciário à não aceitação da impunidade. Mas não se deve fechar os olhos de que o mensalão não significou um caso isolado”, disse Barroso.
O ministro citou escândalos de corrupção ocorridos na década de 1990 durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como o caso dos “anões do orçamento”.

Fonte: G1

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