Corrupção no Brasil e o jogo político

A presidenta Dilma Rousseff é uma novata na arte da política. Apesar de ocupar cargos na administração pública já há um bom tempo e, em sua juventude, ter se engajado com vigor na luta contra a ditadura militar, nossa primeira mulher presidenta da República ainda dá seus primeiros passos, quando o assunto é travar o complexo e melindroso jogo político.

Dilma principiou seu governo com uma base no Congresso mais numerosa que a que apoiou Lula quando de sua chegada à presidência em 2003, o que tem proporcionado, até o momento, certa comodidade ao seu governo ainda jovem.

Fato é que, num Estado de regime presidencialista, submetido a um sistema político democrático e dotado de três poderes, o comandante máximo do Executivo não reuniria condições plenas de governar sem ter um sólido apoio no Congresso Nacional.

A importância de se ter uma base parlamentar representativa e coesa é tamanha que, sem ela, um presidente fica de mãos atadas em diversas questões e assuntos de interesse nacional. Um presidente com minoria no Congresso se torna um mero refém do mesmo, e um exemplo atual desta condição é o outrora poderoso Barack Obama, hoje obrigado a mendigar um voto de confiança dos seus opositores, os republicanos, que dominam a casa de leis americana.

No Brasil, temos assistido à presidente Dilma fazer um verdadeiro “limpa” no Ministério dos Transportes, e dizem muitos analistas que já é do conhecimento da chefe de governo a existência de esquemas de corrupção em outros ministérios. Dada a severidade com que tratou os corruptos do Dnit, não é de se duvidar que mais demissões e exonerações venham por aí, as quais desagradarão, sobretudo, os partidos aos quais os demitidos estiverem vinculados.

Mas cabe aqui uma pergunta: esta limpeza moral promovida pela presidenta no âmbito dos altos escalões do Governo Federal não poderá refletir no enfraquecimento do apoio que recebe no Congresso, uma vez que sempre os cargos do alto escalão são distribuídos entre os partidos quase proporcionalmente à representação que estes têm no Congresso?

O PR (Partido da República), que “mandava” no Ministério dos Transportes, é um exemplo de partido que perdeu poder com a ação moralizadora da presidente no âmbito daquela pasta. Analistas acreditam numa mesquinha retaliação deste partido, em votações de projetos de interesse do Executivo.

Para desempenhar com eficiência e desenvoltura a função de presidente, Dilma Rousseff terá a difícil tarefa de equacionar esta postura moralizadora, consubstanciada nas demissões de corruptos, com a manutenção do apoio dos partidos dos mesmos. Se Dilma tiver sucesso nesta empreitada conseguirá algo histórico, que seria conciliar uma administração eficiente, com apoio do Congresso para as medidas cuja aprovação dele dependem, e tudo isso com redução da corrupção.

A presidente Dilma é uma exímia e séria administradora. É avessa aos holofotes e possui um perfil técnico capaz de proporcionar ao país um crescimento tão ou mais vigoroso que o implementado pelo presidente que a antecedeu.

Torçamos para que ela saiba compatibilizar a necessidade inadiável de moralização da administração pública de que tanto precisamos, com a manutenção de um razoável apoio dos parlamentares para que possa executar seus projetos para a nação. Agindo assim, nossa presidente trilhará um caminho de sucesso e irá satisfazer aos anseios do povo por ética no governo.

Fonte: Correio de Uberlândia

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