CPI da Corrupção pode ser evitada por Base aliada

Depois de segurarem a CPI dos Transportes, que o PT acredita estar pronta para desgastar não Dilma, mas o ex-presidente Lula, senadores e deputados da base aliada tratam agora de evitar a CPI da Corrupção sugerida pelo DEM, e que pretende investigar denúncias em vários ministérios do governo. A avaliação, entretanto, feita num encontro informal de líderes há dois dias no Planalto, foi a de que essa CPI pedida pela oposição tem menos chances de sucesso do que a anterior. Isso porque, até hoje, todas as CPIs que pretenderam investigar vários temas ao mesmo tempo terminaram se perdendo e sem resultados concretos. Para completar, se a presidente Dilma Rousseff conseguir segurar a base aliada ao seu lado — e isso é possível até porque o governo está apenas começando — a oposição sozinha não terá como empreender uma ampla investigação.

Em uma reunião formal de petistas no Planalto esta semana foi avaliado que a CPI dos Transportes estava pronta para investigar o governo Lula e isolar a presidente Dilma. A ideia, segundo o que foi repassado aos petistas, era mostrar que os escândalos eram do tempo em que o comandante era o presidente que deixou o governo com aprovação recorde. Ciente dessa perspectiva, o PT foi o partido que mais correu aos senadores aliados e segurou a investigação, a fim de não desgastar a imagem de seu maior líder.

Um histórico das CPIs no Congresso aponta que as comissões amplas não costumam ir muito longe. No governo de José Sarney, na década de 80, foi criada a CPI da Corrupção, cujo relatório terminou arquivado. Recentemente, a CPI dos Bingos, de 2005, começou com o intuito de investigar a cobrança de propina pelo ex-secretário de Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz. Ampliou o foco para apurar denúncias contra Antonio Palocci e terminou sem chegar a lugar algum. Acabou mais famosa pelo apelido que o presidente Lula lhe deu: “CPI do Fim do Mundo”. Seu relator foi o senador Garibaldo Alves (PMDB-RN), hoje ministro da Previdência.

Carvalho e Dirceu

O relatório de Garibaldi da CPI dos Bingos, apresentado em junho de 2006, propôs que o Ministério Público abrisse investigação contra quatro empresas e 79 pessoas, inclusive Paulo Okamoto, ex-presidente do Sebrae, e amigo de Lula. Isso porque uma das empresas de Okamoto havia feito uma operação que a CPI considerou atípica, mas não houve nada que pudesse envolver o presidente da República. Ou seja, não houve “o fim do mundo”.

Na época, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apresentou um relatório alternativo, incluindo nesse rol de pessoas a serem investigadas o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o então chefe do gabinete presidencial, Gilberto Carvalho, hoje ministro da Secretaria Geral da Presidência da República. Entre um e outro, o governo preferiu ficar com o relatório de Garibaldi, que preservava Carvalho e Dirceu. “Naquela época, a oposição era maior no Senado. Hoje, está menor. Acho difícil que uma CPI prospere”, comenta o cientista político Murilo Aragão.

A análise de Aragão foi semelhante àquela que os políticos fazem hoje em seus encontros mais reservados. Se no tempo em que a base era menor, uma CPI ampla não produziu um farto material capaz de derreter o presidente e o seu governo, os aliados de Dilma consideram que não será agora que isso vai ocorrer. Embora a crise seja grave, avaliam os petistas, uma aprovação popular de 67%, conforme demonstrada na última pesquisa do Ibope, é suficiente para evitar um estrago porque. O índice indica que, no atual momento, a população está ao lado de Dilma, como ficou ao lado de Lula no período do mensalão. E, enquanto ela tiver esse apoio, dizem os políticos, seu governo não vai derreter, pois mais que a crise possa parecer sem fim e venham vários pedidos de CPIs.

PSD ensaia aproximação

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, iniciou ontem tratativas para que o PSD componha a base governista. Em reunião com a presidente Dilma Rousseff, o fundador da legenda sugeriu que ela recebesse os presidentes regionais do partido na próxima semana. “Consultei se ela (Dilma) queria receber os parlamentares para nos apresentarmos. Ela consultou o chefe de gabinete, que veio com a sinalização de que ela nos receberá na quinta-feira.” Kassab negou que a legenda possa abrigar integrantes insatisfeitos da base. “Não gostaríamos e não permitiremos que sejamos resultado de insatisfações partidárias por conta de relações com o governo. Queremos que façam sua adesão ao partido aqueles que se identifiquem com as diretrizes, com o projeto do partido”, disse Kassab. O prefeito de São Paulo tratou ainda da dívida do município, classificada por ele como “impagável”. A dívida era de R$ 10,5 bilhões em 2000 e, desde então, R$ 13,6 bilhões foram pagos. O montante atual ultrapassa R$ 46 bilhões.

Fonte: Midiamax

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