CPI da Petrobras chega ao fim sem novidades nem suspeitos

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Brasília – Controlada pelo governo, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista da Petrobras, que investiga a atuação de organização criminosa na estatal, chega ao fim de maneira melancólica. Blindou corruptos e corruptores. Os integrantes do colegiado não quebraram sigilos bancários e telefônicos dos principais personagens do escândalo e fizeram um acordo para não convocar políticos tanto do governo quanto da oposição.

O relatório final, que deve ser apresentado amanhã à tarde, não traz nenhum avanço em relação às investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Fará apenas um esboço genérico da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), do superfaturamento de empreendimentos da estatal, da segurança nas plataformas e do pagamento de propinas a funcionários da petroleira. O conteúdo das delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, considerados os líderes do esquema, não devem integrar o resultado apresentado pela comissão.

A oposição se reúne, na manhã desta terça-feira, para debater um relatório paralelo e traçar estratégias para a instalação de comissão com o objetivo de continuar as investigações na Casa no próximo ano. Vão participar do encontro os líderes do PPS, Rubens Bueno (PR); do PSDB, Antônio Imbassahy (BA); do DEM, Mendonça Filho (PE); do PSB, Beto Albuquerque (RS) e do Solidariedade, Francisco Francischini (PR). A oposição, de acordo com Rubens Bueno, pode chegar a pedir o indiciamento da presidente Dilma Rousseff, que comandava o Conselho Administrativo da Petrobras quando a empresa comprou a refinaria de Pasadena, o que teria gerado um prejuízo de US$ 792 milhões.

Os governistas ressaltam a agilidade da polícia e da Justiça como justificativas para a “falta de novidades” no relatório oficial. Aliados do Planalto argumentam que é impossível dimensionar o prejuízo resultante da falta da documentação da delação premiada que a CPI não pôde consultar. O Supremo Tribunal Federal (STF), temendo vazamentos para a imprensa, não compartilhou os depoimentos sigilosos que apontam o envolvimento de dezenas de políticos no escândalo.
“Não existe blindagem. O que existe é uma composição. Os deputados têm tido sabedoria para entender quando a intenção é somente o desgaste público”, disse ao Estado de Minas o líder do PT na Câmara, Vicentinho (PT-SP), sobre os requerimentos propostos pela oposição e não apreciados. “Eles ainda não desceram do palanque, o componente eleitoral continua vivo. Convocamos diretores, a presidente da Petrobras (Graça Foster), o ex-presidente, a CPI cumpriu o seu papel”, justificou.

Um dos raros momentos em que a CPI Mista conseguiu driblar o script chapa-branca ocorreu na semana passada durante acareação entre Paulo Roberto Costa e o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Costa afirmou que “dezenas” de políticos estão envolvidos no escândalo e repetiu várias vezes que confirmava tudo o que informou à Justiça Federal. Segundo ele, “o que acontecia na Petrobras acontece no país inteiro”, incluindo obras como rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrelétricas.

Cerveró, por sua vez, defendeu as mesmas posições de quando depôs à CPI Mista, em setembro, negando conhecimento do esquema, apesar de ter sido beneficiado por ele, conforme Paulo Roberto Costa. Mesmo admitindo ter participado do esquema criminoso, o ex-diretor de Abastecimento da estatal se disse “arrependido” e “enojado” com a corrupção na petrolífera.

Cancelamento

A falta de motivação da CPI é tamanha que, em 3 de dezembro, o depoimento do ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras Ildo Sauer foi cancelado. Mesmo assim, três deputados da oposição resolveram ouvi-lo. Entre outros pontos, Ildo disse que a presidente Dilma Roussseff “tem mais habilidade em buscar culpados do que buscar soluções” e negou qualquer conhecimento sobre o esquema de corrupção na petrolífera.“Temos uma situação muito interessante.”

O presidente da CPI Mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que durante todo o tempo atrasou a investigação e empacou o desenvolvimento dos trabalhos, agora foi indicado para o TCU. “Espero que lá ele possa investigar melhor a Petrobras do que fez aqui”, criticou o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Vital do Rêgo já teve o nome aprovado no plenário do Senado e aguarda resultado positivo na Câmara para assumir a vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU), que também investiga a estatal.

Fonte: EM

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