Crise e corrupção ataca também na Croácia

Provável primeiro-ministro, Zoran Milanovic, líder do centro-esquerda, anuncia tempos difíceis num país que se prepara para entrar na UE.

Se não houver surpresas, uma coligação de centro-esquerda vai ganhar as eleições legislativas de hoje na Croácia. O Governo que resultar do escrutínio deve conduzir o país à entrada na União Europeia (UE), em 2013.

Os cerca de 4,5 milhões de eleitores da antiga república jugoslava, independente desde 1991, devem – segundo os estudos de opinião – ditar o afastamento do poder dos conservadores da União Democrática Croata, HDZ, fundada pelo “pai” da independência e antigo Presidente, Franjo Tudjman.

O próximo Governo deve ser formado pela aliança KuKuriku, liderada pelos social-democratas do SDP, antigos comunistas, e de que fazem parte os liberais do HNS e dois outros pequenos partidos. Segundo as sondagens, poderão conseguir 79 dos 151 lugares do parlamento.

A HDZ, liderada por Jadranka Kosor, deve sofrer os efeitos do recuo do Produto Interno Bruto desde 2009 e ser penalizada por uma série de escândalos de corrupção. Ivo Sanader, antigo primeiro-ministro, que levou o país à entrada na NATO e deixou o executivo em 2009, foi um dos atingidos e enfrenta agora a Justiça.

Jadranka Kosor, a mulher que lhe sucedeu na chefia do Executivo, considerou, numa entrevista à AFP, a campanha contra a corrupção que desencadeou nos dois últimos anos como uma “realização histórica”. Mas os eleitores parecem querer penalizar a força que dirige o país desde a independência, excepto entre 2000 e 2003.

“Antes votava na HDZ, mas não o vou fazer devido a todos esses casos, todos os que ainda não foram revelados e todos esses roubos”, disse uma empregada de uma loja no centro da capital, Zagreb, a uma repórter da agência noticiosa. “Eles começaram a fazer a limpeza muito tarde.”

O próximo governo herdará uma situação económica delicada e uma taxa de desemprego de 17 por cento. Zoran Milanovic, 45 anos, um antigo diplomata, provável primeiro-ministro, já advertiu que se avizinham tempos complicados. “O próximo ano será difícil. Estou consciente das dificuldades que vamos enfrentar”, disse numa entrevista ao diário Jutarnji List. “A vitória é apenas o começo do trabalho”, afirmou na sexta-feira, no encerramento campanha, quando também dirigiu um apelo de unidade nacional às minorias, designadamente sérvia e italiana.

Os eleitores da coligação parecem conscientes de que não haverá milagres. “Vou votar pela coligação porque desejo votar por uma mudança, apesar de esta não ser a minha primeira escolha”, disse Rajna, 23 anos, licenciada em Ciências Políticas. “Espero que eles criem novos emprego, mas duvido que as coisas mudem drasticamente.”

Os 411 mil eleitores residentes no estrangeiro – só na Bósnia são 264 mil, tendo a maioria dupla nacionalidade – votaram ontem. Os que vivem na diáspora elegem três deputados. A HDZ teve em anteriores escrutínios forte apoio desse eleitorado.

Para a próxima sexta-feira está agendada a assinatura, em Bruxelas, do tratado de adesão da Croácia a UE, prevista para 1 de Julho de 2013.

Fonte: Público

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