Pedro Simon diz ser o momento ideal para combater a corrupção

Pedro Simon diz ser o momento ideal para combater a corrupção

Em pronunciamento nesta terça-feira (23), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que este é o momento ideal para a sociedade fazer uma grande transformação na política brasileira, tendo em vista que a conjuntura atual, aliada à atuação da presidente Dilma Rousseff, favorece o combate à corrupção.

Ao contrário de seus antecessores, disse Simon, a presidente Dilma está tomando a posição de apurar a denúncia e demitir o envolvido, ao comentar audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) sobre o combate à impunidade, que durou quatro horas e contou com a participação de 25 parlamentares e diversos representantes da sociedade civil.

– Começou com a pessoa mais importante de seu governo, o chefe da Casa Civil [Antonio Palocci], que era seu representante na transferência do governo de Lula para ela. Apesar de ser o homem mais ligado a ela, de Lula ter vindo aqui e pedido para ele ficar, ele foi afastado, assim como outros foram afastados – afirmou.

A atitude da presidente Dilma, continuou Simon, fez com que alguns líderes partidários ameaçassem com retaliação, chegando-se “até a falar na possibilidade de afastamento da presidente, a se falar em revide, com os líderes dizendo que iam botar em votação projetos que não interessavam ao governo, e que não iriam colocar em votação outros projetos de interesse do governo”.

A reação, ressaltou Simon, veio por parte da sociedade, da imprensa e de parlamentares de todos os partidos, que agora engrossam um movimento que cobra da presidente o cumprimento de suas promessas de combate à corrupção.

– Que a presidente saiba que ela tem cobertura no Congresso Nacional e na sociedade para ela ter um governo íntegro, responsável, competente. Que tenha folha corrida, que merece respeito. E que [o indicado] tenha capacidade para exercer cargos que todos reconheçam – afirmou.

Simon, porém, lamentou que a presidente Dilma não tenha sido “feliz’ na composição de seu governo, que seria, segundo ele, “uma espécie de continuação de nomes indicados por Lula e seus asseclas, que parece que não tiveram muita profundidade na análise das pessoas que escolheram”.

– Por isso, liberdade à presidente Dilma para mudar o que acha que deve ser mudado. E responsabilidade para escolher quem tem competência para o cargo, ficha limpa para o cargo e condições de exercer o cargo – afirmou.

Se agir dessa forma, disse Simon, a presidente Dilma “terá a maioria, nós lhe daremos cobertura e ela não terá de mendigar de líder ou quem quer que seja aquilo a que ela tem direito”.

Em aparte, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) – que não pôde participar da audiência pública “em vista da loucura das múltiplas ações que ocorrem no Senado nas diversas comissões” – disse que uma das “raízes e causas” da corrupção no Brasil é o financiamento privado das campanhas eleitorais, que sujeita os candidatos a receber doações que nem sempre são transparentes.

– A grande providência que esse Congresso pode adotar para dar ataque frontal à corrupção é o estabelecimento de financiamento público [exclusivo] das campanhas eleitorais. Insisto nesse tema – afirmou.

Em resposta, Simon disse que esse também foi o pensamento unânime de todas as entidades que participaram da audiência pública na CDH.

Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que é preciso lutar para que seja possível sair da corrupção trágica no comportamento dos políticos, e da corrupção nas prioridades das políticas públicas.

A audiência pública contou com representantes do Movimento de Combate à Corrupção; Associação dos Magistrados do Brasil (AMB); Associação Nacional dos Delegados de Polícia; Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Transparência Brasil; Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Nacional dos Procuradores da República; Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE); Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic); Associação dos Juízes Federais (Ajufe); e Associação Nacional dos Membros do Ministério Público.

Paulo Sérgio Vasco / Agência Senado

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