Problema é a corrupção no brasil e não as algemas

A controvérsia é interessante, mas o fato é que tudo continua igual: sempre houve corrupção no Brasil, apenas agora ela está aparecendo e sendo combatida. O fato é que a corrupção continua abusando da paciência nacional e ultrapassando todos os limites imagináveis. Os dois lados têm um pouco de razão e o que se pensa é que como não há celeridade nas prisões e punições e se fica discutindo o uso, ou não, de algemas, o tempo passa, novas acusações rugem e as antigas são esquecidas. Aliada a tudo isso, a demora histórica do Judiciário afasta punições que poderiam brecar o “entusiasmo” de alguns por conta das punições. Certas desculpas de políticos para se defender das acusações são um abuso à inteligência mediana de todos nós. Apelar para foro disso ou daquilo é uma delas. Começa que o foro geral é o Judiciário e suas instâncias, nada de privilégios, cujo nome por si só traz repulsa ao natural. Não podemos é mostrar um “olhar de paisagem” e colocar óculos escuros, como fez blague o ministro Guido Mantega, respondendo a críticas que recebeu. A necessidade de ter apoio no Congresso, com 47 partidos, 513 deputados federais e 81 senadores, um emaranhado de interesses, alguns aceitáveis e outros beirando à chantagem política explícita torna o presidente da República, seja homem ou mulher, refém de esquemas. Isso só não aconteceu com Fernando Collor. E por não ter uma “base amiga” no Congresso, foi destituído. Então, não há nada de errado com o Brasil, mas sim com muitos políticos. Todo governante tem uma queda de popularidade, como Dilma Rousseff, após a tradicional “lua de mel” com a população. Acontece aqui como em qualquer país, como no caso de Barack Obama. Mas pelo menos lá ele enfrenta graves problemas econômicos e financeiros. Acontece que quem comanda não pode alegar desconhecimento. Jamais. Tem poder de mando, sempre é responsável, esteja de férias, em casa ou trabalhando. As irregularidades que vêm sendo descobertas mostram um bom trabalho policial, sem dúvida. Pior é se os desmandos não viessem a público. Mas como pode uma pessoa acompanhar 37 ministérios? O fato é que esse modelo de apoios partidários, embora lícito, acaba extrapolando a ética e termina em vigarices. O promíscuo loteamento de cargos entre os partidos políticos aliados com tantos parlamentares, milhares de cargos em comissão e quase quatro dezenas de partidos só pode resultar no que se está assistindo, de maneira enjoativa, beirando ao nojo cívico. Este conluio puxa para baixo a qualidade da gestão administrativa e estimula a corrupção, está provado.

É urgente uma alteração radical na política, nos ministérios em excesso e na superposição de mandos e tarefas, o que facilita a ação dos vigaristas contumazes. Há que ser feita uma total reestruturação da gestão pública, com o enxugamento de órgãos, com menos gastos e problemas. Vamos dar prioridade ao julgamento de processos contra gestores oficiais acusados de corrupção, proibir o sigilo – por que assim? – de processos que tratam de crimes contra a administração dos governos e que o Tribunal de Contas da União (TCU) que divulgue todas as compras na internet. Não é tudo, nem acabará com a corrupção. Mas é um bom início.

Fonte: Jornal do Comércio

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